terça-feira, janeiro 17

Somos


E teu sofrimento tornou-se meu, pois juntos somos.
Mas quando é que as mudanças fluíram ?
Quando foi que nós, 'tornou-se um', repletos de íntimos, olhares e sentimentos ?

Ainda lembro do descompromisso, das suas acalentações, dos desejos guardados que nunca compartilhava, e também, da forma insistente minha, de te invadir, inundar, amar.

Nossa trilhagem foi se organizando, despretensiosa, única. Aos poucos, fui me vendo em você, e o contrário foi alcançado igualmente.

Meus devaneios obtiveram sucesso, foram perceptivos em sua ingenuidade.  E seu orgulho foi entendido, carinhosamente reflexivo e deixado para trás.

Nos agraciamos, respeitamos os erros, melhoramos, mudamos, e continuamos nos erguendo, rompendo os temores.

Amanheceu, floresceu todos os dias, apesar das tempestados momentâneas que nos fizeram ser.

A compaixão esteve igualada com o amor, por isso fluímos, "demos certo", nos encontramos em nós mesmos.

Vivemos intensamente, e as alegrias, divinas, percebemos que só a tivemos porque não nos contentamos em querer, e fomos, tentamos, somos.



Thami Silva

sábado, novembro 12

O que vem de dentro, é mais importante.

E por mais que você sempre possa mudar o quadro de cor, textura, formato, visão, significados, a essência é a mesma. 
Mude o conteúdo, para que transpareça o novo para quem o ver. 
Florescer é fácil, mas é preciso perceber o momento certo para vir a acontecer. 


Dodecaedro

Acho que de repente fiquei espantada por estar exatamente aqui, entre 'todas' essas pessoas, e devo ter me perguntado vagamente por que tudo em minha vida teria me conduzido para este momento,
- Caio Fernando Abreu

Dodecaedro

Mas tudo isso é necessário? Tudo isso o quê? As explicações, as mémorias, os mitos. Não sei, não sei, não consigo de outro jeito. Continuo esperando certa nitidez vinda de fora. Por enquanto, nesta outra cidade, ouço e vejo apenas o vento misturando terras, pólens, papéis, sementes, miasmas, folhas e histórias. Sopra mais forte na minha esquina sobre o abismo. Curva das Tomentas, eu a chamei. 

-Caio Fernando Abreu

Dodecaedro

 Falo banalidades, sei, mas amor é magia, condão, pedra de toque.
- Caio Fernando Abreu

domingo, novembro 6


" Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo. " 
Caio F. de Abreu 

Todos nós precisamos de um tempo. Um momento nosso, para pararmos e pensarmos se estamos agindo realmente da forma que queremos e imaginamos.
Como numa conversa, em que você fala algo, mas não necessáriamente esta, é compreendida de forma esperada, assim também é, nos momentos da vida. Nos enganamos, erramos, nos perdoamos. O perdão é mágico quando concedido por outra pessoa, mas precisa estar vívido em nós mesmos para ser límpido, para seguirmos em frente.
Necessitamos passar por diversos obstáculos (ou não) para percebermos o que é o melhor para a felicidade viver plena conosco.
Tive que vivenciar outros meios, errar e me submeter a falhas, para saber o que de fato me importa.
Mas hoje, sem pretensões, estou apenas à escrever, quer dizer, observar e escrever ou seria escrever e observar ?!
Somente algumas vezes, alguns poréns, todavias e contudos..
Somente para suprir a minha necessidade de estar permanecida sempre num local, num olhar, por pessoas sós e não.

Voltemos calmamente, sem pressas, mas voltemos.




Ps.: Por ler tantos trechos de Caio, minha vontade de ler livros dele foi aumentando, aumentando que pronto, comprei " Triângulo das Bermudas".
Sua escrita, motivou-me a ver poesias aonde já havia deixado para trás, onde eu compreendia não existir mais.
E como nesse tempo ausente só o li, dedico um especial com muito Caio Fernando de Abreu aqui no Blog.
Eu não me canso, até...

quarta-feira, setembro 7

"O essencial é invisível aos olhos"


Felicidade já não me completa.
Preciso de mais, meu ser tem começado a mandar mensagens de que o necessário agora, não o satisfaz.
Havia percebido, mas tentei fingir à mim e, convencer meu subconsciente de que tudo não passava de momentos fictícios que deveriam ser constantes nos instantes em que escuto músicas lindas/dramáticas.
Só que ele, de fato, necessita de algo que desconheço, talvez impossível. E sim,  irreconhecível, me intriga que seja o novo.
E enquanto não o encontro, ou não chega à mim, o foco em que vivo está petrificado em 'nada'. Revejo minhas escolhas e tento entender como fui parar nesse caminho em que não reconheço mais o que me motiva, me torna alegre.
É um andar em  círculos, tudo é tão indiferente, chato.  São intenções sem fins lucrativos que param na lista mártir da insatisfação.
"De alguma forma o presente passou" e eu quero me libertar do futuro que não entendo como chegou e que o gostar passa longe. É tudo tão estranho, um mundo que não é o bastante.
"Onde diabos eu pensei que eu estava ?"





Texto elaborado a partir de reflecções de músicas do Goo Goo Dolls: Here is Gone, Sympathy e Legião Urbana: Teatro dos Vampiros.

segunda-feira, agosto 29

"É que hoje estou cansada..."


Mais uma noite de conversas vãs e sorrisos singelamente colocados para um vazio maior não aparecer em meu rosto.
Cansada de tanta futilidades, banalidades, bobagens, insignificantes, nos (dos) lugares que frequento. Quero pessoas interessantes, amizades que valham a pena, não essas que não me acrescentam nada e homens patéticos/bonitos que dizem olá, e não conseguem atingir bons frutos numa conversa.
Alguém com conteúdo não consegue viver nesse climinha oco por muito tempo. E é isso que vejo acontecer comigo.
Surtos à parte, amores casuais e olhares soltos... perdi o interesse desse nada que me consome.
Necessito de mais e de amor. De compreensão e afeto, e uma pitada de sal com tesão para me deixar mais alegre e com as bochechas rosadas que compensará a realidade fria em que vivo e sou.
Sou daquelas que acreditam no romântismo e que ainda acham que encontrarão sua alma gêmea algum dia, quando for comprar pão na padaria. E que por mais que naquele momento esteje com a cabeça nas nuvens, ele me olhará e na hora saberei que esse é o homem que me mandará flores e cartas amorosas ou pelo menos e-mails, e que encontrarei rosas espalhadas pela casa que estrategicamente farão o caminho para nosso ninho de amor. Será àquele que irá me escrever palavras lindas no espelho embaçado ou que simplesmente me acordará bem cedo para vermos o nascer do sol na praia.
Não sei se entendo o que se passa comigo, ainda fico refletindo se é muita propaganda vista na infância em filmes hollywoodianos e que hoje tormentam a minha maturidade, ou, que na verdade é um medo escondido nas impossiblidades.
Mas quero viver do intenso, do corpo, alma, sem fronteiras, pausas, interrupções.
Quero me doar e ser transbordada por alguém que sonhei em no fim, só completar.
Preciso de uma mão segurando a minha quando estou assustada com relâmpagos e trovões; de um afago quando nada daquilo que deveria dar certo, estiver dando. Almejo carinhos sem motivos iniciais, porém que importem e demonstrem tudo.
Certa vez me disseram que querer nem sempre é poder, todavia é ter esperanças que um dia aconteça, o problema é o "esperar" que só chega quando bem entende. Não sou paciente, em contrapartida venho esperando muito.

Só sei que se não for para viver assim, de paixão avassaladora; amor juvenil, meigo, simples e sincero; não quero, prefiro até viver de solidão, essa talvez, nunca minta para mim. 

domingo, agosto 28

Os Desastres de Sofia


... E mesmo agora ainda não sei o que vi, só que para sempre e em um segundo eu vi - assim eu nos entendi, e nunca saberei o que entendi. 
Nunca saberei o que entendo. 
O que quer que eu tenha entendido no parque foi, com um choque de doçura, entendido pela minha ignorância. 
Ignorância que ali em pé - numa solidão sem dor, não menor que a das árvores - eu recuperava inteira, a ignorância e a sua verdade incompreensível. 
(...) 
Tudo o que em mim não prestava, era o meu tesouro. 


Livro: Felicidade Clandestina.

domingo, agosto 7

Espera...


Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços...
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera... espera... ó minha sombra amada...
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!...

Florbela Espanca

Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada


V
Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


Manoel de Barros - O Guardador de Águas

sábado, agosto 6

O Pêssego


... Mas é no tato
Que a fonte do amor se abre.
Apalpar desabrocha o talo.
O tato é mais que o ver
É mais que o ouvir
É mais que o cheirar.
É pelo beijo que o amor se edifica.
É no calor da boca
Que o alarme da carne grita
E se abre docemente
Como um pêssego de Deus.

Manoel de Barros

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...