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terça-feira, março 29

Por Além dos Olhares

Ele estava a olhar o relógio inúmeras vezes.

Eu ali, quieta, só observei seus gestos e fui tentando decifrar seus pensamentos.

Deveria ter uns vinte e cinco, vinte e seis anos, não era bonito e sim comum, com um olhar charmoso, e um jeito engraçado de se movimentar na cadeira. Sorria pouco, mas não era sério, parecia só não estar muito feliz naquele dia.

Ela parecia chegar, um olhar decisivo dele à porta me fez perceber isso.

A jovem foi até ele, e houve cumprimentos.
A cumprimentou dando estalinho em suas bochechas, sua voz secamente soara no tempo, naquele ambiente do restaurante, e também continuou a não sorrir, como lhes disse, não estava muito à sorrisos.

Ela aparentava de imediato saber o porquê da maneira dele estar assim.
Demonstravam ser amigos, não namorados, contudo estavam a usar alianças.

Num meio tempo, minha refeição chegou e eu deixei de observá los por alguns minutos e não presenciei tudo em questão.
Logo depois, só o vi segurar uma das mãos de sua suposta amada.

Ela o olhou com tom de tristeza e arrependimento, porém ele estava certeiro em sua decisão. Tomou o anel e pronunciou algo que não consegui entender.

A moça, chorando, descontrola se e grita, chamando a atenção geral da clientela.
Disse que estava arrependida, que o amor deles era maior do que qualquer traição. E ele, a amando e respeitando, deveria pensar mais no assunto. Pediu perdão.

Mas o rapaz, já com um olhar de repugnância, bateu uma palma, a olhou de cima aos pés e se foi, rumo a rua escura.

Ela, pediu a conta, pagou a quantia de um suco que pediu, abaixou a cabeça e se limitou a vagar olhando o chão.

E a noite de todos que estavam no local, continuou. Mas a deles, tenho certeza, terminou.

Thami Silva

domingo, setembro 26

O Amor não é Dívida

“O amor não é um hábito, um compromisso, ou uma dívida. Não é aquilo que nos ensinam as músicas românticas, o amor é indefinições. Ame e não pergunte muito. Apenas ame." Paulo Coelho

Certa vez conversando com um senhor, entramos no assunto 'AMOR', e o tal começou a relatar algumas estripulias de quando era mais moço. Vivenciei em poucos momentos sua nostalgia, e no meio das palavras foi perceptivo o romantismo que descrevia. Entre a narração me disse algo que o poema acima descreve:
- O amor não deveria ser vergonhoso Thamires, não deveríamos temer e nem sermos receosos com a paixão. E sim, tínhamos que agradecer a alguém que se sinta apaixonado por nós ou pelo menos termos compaixão, pois naquela pessoa há o amor. Mesmo que não houver amor entre os dois, há o amor somente em um, e isso já é magnífico, temos de respeitar o amor e quem nos ama.

Confesso que a tempos não pensava no amor como algo muito maior do que sentimento. Sei, hoje, que ele é tudo, menos compreensível por ser simples.
Acredito que não o devemos levar na brincadeira, pois fere muito e algumas vezes não cicatriza. Deveríamos cientizar a todos qual a importância dele para nós, ao meu ver, assim só sofreria quem quisesse.
Se há o respeito na vida, porquê não no amor ?

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