O que fazer com este amor
cheio de responsabilidade?
em cada gesto uma vontade louca,
uma certeza pouca.
O que fazer com este amor
tão pleno de pequenas lembranças,
tão forte na sua antiguidade,
em cada beijo um sopro de vida
uma esperança renascida,
uma descoberta abastecida.
O que fazer com este amor
Sem espaço na roda-viva
ocupado em guardar-se escondido
nos cantos da noite,
nos pedaços das salas,
nos braços do risco?
O que fazer com este amor,
pergunta-me o vento,
querendo soprar para longe os
menores sentimentos:
escondê-lo até que a vida morra,
guardá-lo desde que a vida corra,
matá-lo até que tudo escorra?
Respondo ao vento:
tão grande assim,
não há limites que o prendam,
não há risco que o sufoque,
não há sinais que o escondam!
Tão amor assim,
não há que ser pensado;
tão amor assim,
só há que ser sentido.
* A Flor da Pele, uma história de amor urbano e pós-moderno, de Antônio Gil Neto e Edson Gabriel.
