Eu ali, quieta, só observei seus gestos e fui tentando decifrar seus pensamentos.
Deveria ter uns vinte e cinco, vinte e seis anos, não era bonito e sim comum, com um olhar charmoso, e um jeito engraçado de se movimentar na cadeira. Sorria pouco, mas não era sério, parecia só não estar muito feliz naquele dia.
Ela parecia chegar, um olhar decisivo dele à porta me fez perceber isso.
A jovem foi até ele, e houve cumprimentos.
A cumprimentou dando estalinho em suas bochechas, sua voz secamente soara no tempo, naquele ambiente do restaurante, e também continuou a não sorrir, como lhes disse, não estava muito à sorrisos.
Ela aparentava de imediato saber o porquê da maneira dele estar assim.
Demonstravam ser amigos, não namorados, contudo estavam a usar alianças.
Num meio tempo, minha refeição chegou e eu deixei de observá los por alguns minutos e não presenciei tudo em questão.
Logo depois, só o vi segurar uma das mãos de sua suposta amada.
Ela o olhou com tom de tristeza e arrependimento, porém ele estava certeiro em sua decisão. Tomou o anel e pronunciou algo que não consegui entender.
A moça, chorando, descontrola se e grita, chamando a atenção geral da clientela.
Disse que estava arrependida, que o amor deles era maior do que qualquer traição. E ele, a amando e respeitando, deveria pensar mais no assunto. Pediu perdão.
Mas o rapaz, já com um olhar de repugnância, bateu uma palma, a olhou de cima aos pés e se foi, rumo a rua escura.
Ela, pediu a conta, pagou a quantia de um suco que pediu, abaixou a cabeça e se limitou a vagar olhando o chão.
E a noite de todos que estavam no local, continuou. Mas a deles, tenho certeza, terminou.
Thami Silva

Alguns olhares são flechas lançadas. Algumas despem, outras vestem, numa brincadeira sapeca do inconsciente de quem vê.
ResponderExcluirAdorei.
Abç
Querido.. e num é que os olhares podem dizer tudo, e também nada.
ResponderExcluirGrata pelo carinho.
Bjos !