Ofensa que se eleva a grau supremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
Talvez me enfadaria aspecto iroso;
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-se cativo, e não me faz ditoso.
Manuel du Bocage

Bocage é um dos meus poetas favoritos. Ele era um vagabundo boémio e mulherengo. Conta a lenda que andava ele pela baixa lisboeta enrolado num lençol quando um burguês lhe quis comprar roupa nova numa loja chique. Ele respondeu que não, porque estava à espera da última moda, e seguiu pela cidade, respondendo da mesma forma aos curiosos...
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